Sábado, 14 de Março de 2009

Velhos do Restelo

A sociedade portuguesa é marcada por figuras típicas com características perfeitamente padronizadas e consolidadas ao longo dos séculos. Uma destas personagens é o "Velho do Restelo". Já Camões, nos Lusíadas, fazia referência a esta figura que no século XV profetizava a desgraça da aventura marítima dos portugueses:

 

"Mas um velho, de aspeito venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
Cum saber só de experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito:

"-Ó glória de mandar, ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
Cúa aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles exprimentas!

Dura inquietação d' alma e da vida,
Fonte de desemparos e adultérios,
Sagaz consumidora conhecida
De fazendas, de reinos e de impérios!
Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
Sendo dina de infames vitupérios !
Chamam-te Fama e Glória soberana,
Nomes com quem se o povo néscio engana.

A que novos desastres determinas
De levar estes Reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas,
Debaixo dalgum nome preminente ?
Que promessas de reinos e de minas
De ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? Que histórias?
Que triunfos? Que palmas? Que vitórias? [...]"

 

Hoje no século XXI continuam a existir esses senhores "vista curta" que apenas conseguem olhar para o curto prazo, para o imediato.

Vem isto tudo a propósito de uma das propostas do candidato à presidência do concelho de Ponta Delgada, Paulo Casaca, no sentido da introdução do ensino de árabe , russo e mandarim nas escolas municipais. Esta proposta, já criticada e gozada por alguns destes senhores, reveste-se, no entanto, de uma importância muito maior que a aparente. O mundo é cada vez mais uma aldeia global, na qual a China e muitos países árabes assumem uma crescente importância económica e política. Alguém duvida que a China, no futuro, quer pela sua enorme população, rápido desenvolvimento e correntes migratórias de lá originárias será uma das maiores, se não mesmo, a maior potência mundial?

Esta é apenas uma das diferenças deste candidato do PS para os demais. A preocupação com a formação dos munícipes e a intenção de dirigir os dinheiros públicos para a valorização social.



 

 

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publicado por Hélder Almeida às 19:09
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