Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

Libertinagem

Esta semana a igreja Matriz de Ponta Delgada foi o alvo da, ao que tudo indica, "criatividade" de uns certos meninos.

Quer queiram, quer não tudo isto é o fruto da nossa sociedade.

Na televisão as séries dirigidas aos mais jovens deturpam a realidade. Nelas passa-se a mensagem que quem estuda, quem trabalha, quem tira boas notas é o vulgo "totó", que o fixe é andar a grafitar muros, faltar às aulas, tramar o colega na eleição da associação de estudantes, beber que nem uns alarves, e quem sabe até experimentar a fumar substâncias menos próprias. É impressionante, os jovens destas séries nunca estudam, passam todos de ano mas nunca ninguém os vê a estudar.

Contudo, não se pode colocar todas as culpas na televisão. Ao longo dos anos transmitiu-se a ideia de facilitismo na educação em Portugal, e pior, o desrespeito pela figura do professor. Não sou apologista de extremos como a violência que existia no ensino durante a ditadura, mas também não tolero o estado actual das coisas. O professor quase que tem de ter medo dos alunos, pois se dá um puxão de orelhas ou um aperto no braço a um miúdo, não só se arrisca a ser alvo de um processo como pode levar com os paizinhos (muitos deles que só aparecem na escola nestes casos demonstrando o seu desinteresse pelos filhos, como dizia a D. Benta, e bem, hoje no Correio dos Açores), irmãos, tios, avós e periquito, caso exista.

Por fim há os pais. Sempre tive boas notas e nunca recebi nenhuma compensação especial dos meus pais, melhor, sempre tive o que de melhor eles podiam dar: uma educação irrepreensível, a noção de respeito pelo outro, afecto e acompanhamento. Hoje os pais dão tudo (menos o que realmente interessa), vivendo-se numa espécie de chantagem permanente, ora são os pais que ameaçam: só tens isso se fizeres aquilo; ora são os filhos: se o pai quer que eu faça isso tem de me dar aquilo. Essas crianças e jovens que crescem neste tipo de relação o que serão no futuro? Decerto que não serão adultos responsáveis.

Tudo isto para dizer que não me admiro com estes, cada vez mais frequentes, actos de vandalismo. Vandalismo resultante da falaciosa noção de liberdade em que os jovens, actualmente, crescem. Grande parte dos jovens de hoje não vive em liberdade mas sim em LIBERTINAGEM. Ser livre é ser responsável, é ter sobre si o peso da responsabilidade de se construir o melhor possível enquanto pessoa, é sentir a responsabilidade de ter de ser o melhor exemplo para todos os que o rodeiam. Só com um pensamento e um agir responsável é que todos nós poderemos ser inteiramente livres, e poderemos fazer com que situações como a que inspirou este post se deixem de verificar.

Liberdade e Responsabilidade são ambas faces da mesma moeda, sendo, por conseguinte indissociáveis.

 

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publicado por Hélder Almeida às 18:57
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Domingo, 23 de Novembro de 2008

Só visto!!!

Só em Portugal! Num simulacro, que como o nome indica pretende simular a realidade, os bombeiros chegaram a uma estação de metro para socorrer as vítimas de um descarrilamento provocado por um sismo antes do sismo ocorrer.

É triste que nas poucas operações deste tipo que se fazem em Portugal se cometam este tipo de erros graves.

Já agora também seria útil que nós Açorianos estivéssemos mais atentos a este tipo de actividades. Devíamos ter uma atitude em tudo idêntica à do Japão no que concerne à realização de simulacros de sismos. É necessário que nas nossas escolas, hospitais, superfícies comerciais se realizem estas actividades de forma regular e não esporadicamente como hoje se verifica. É urgente que se crie esta mentalidade de prevenção, de alerta ao invés da tradicional atitude do coitadinho depois das catástrofes e das desgraças.

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publicado por Hélder Almeida às 13:12
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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Ainda é possível...

Enquanto socialista democrático e apoiante, desde sempre, dos ideais do  Partido Socialista e por conseguinte do mesmo, fico triste que o partido que mais lutou pela democracia em Portugal enquanto governo da república esteja a ter a postura que tem na questão da educação. Bem sei que a senhora ministra da educação sendo independente não é obrigada a comungar dos ideais constantes da nossa declaração de princípios, contudo, e para todos os efeitos, pertence a um governo suportado por uma maioria socialista e, por isso, terá de se reger pelos valores desta mesma maioria. Se é verdade que em democracia deve-se cumprir o que se acordou, o que não falta para aí são promessas esquecidas e o que está em cima da mesa é um processo de avaliação que está a lançar as escolas num caos burocrático, para o qual alertei já muitas vezes neste blog e anteriormente no extinto fórum do site do Partido Socialista dos Açores. Já não são só os professores que estão contra este método de avaliação, são os pais, são os alunos, é a sociedade em geral que se vai apercebendo, aos poucos, que um melhor ensino não é sinónimo de mais burocracia nas escolas.

Perante isto resta-me manter a esperança que o meu partido a nível nacional volte ao rumo do diálogo que sempre nos caracterizou, pois só o diálogo franco e não monólogos intercalados é que resultam em consensos alargados. Dos sindicatos e dos órgãos representativos dos professores também espero que apresentem propostas credíveis para um novo sistema de avaliação e que não se limitem a dizer que não querem este.

Por último, e de seguida, faço a transcrição do artigo 20 da declaração de princípios do meu partido, o Partido Socialista desejando que inspire alguns dos actuais dirigentes nacionais e membros do governo da República do Partido Socialista:

"20. O PS é um partido republicano, que emana dos cidadãos. Por isso, concebe a acção política como tarefa colectiva de mobilização de pessoas e grupos para o projecto da plena realização da democracia e da afirmação dos ideais da liberdade, da igualdade e da solidariedade. Por isso, é um partido plural, coeso e fraterno, aberto à comunicação permanente com as diferentes organizações e correntes de opinião que fazem a riqueza da sociedade civil, e assente na intervenção social e cívica dos seus membros, militantes e simpatizantes, cidadãos livres e activos unidos pela ampla plataforma política da democracia e do socialismo democrático."

 


publicado por Hélder Almeida às 22:43
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Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

Um Bom Governo

O novo elenco governamental dos Açores parece mais forte, mais capaz, mais equilibrado.

Em primeiro lugar há a destacar a atribuição da pasta da Economia a Vasco Cordeiro. Finalmente, e após o seu excelente trabalho durante os poucos meses que esteve à frente da secretaria da agricultura entre 2003 e 2004, Vasco Cordeiro volta a ganhar destaque no Governo Regional, naquele que, para mim, é o maior voto de confiança de Carlos César, dado os tempos difíceis que já se fazem sentir e que continuarão a atormentar os Portugueses e os Açorianos em termos económicos e por ser esta secretaria também responsável pelos transportes marítimos e aéreos da região, dossier que se revelou difícil para Duarte Ponte. Vasco Cordeiro é a pessoa certa na secretaria certa, com o carisma e capacidade de gerar confiança no seio dos agentes económicos e de encontrar soluções que aliviem o custo que actualmente os Açorianos têm para se deslocar através do transporte aéreo. Estou confiante que Vasco Cordeiro terá um óptimo desempenho.

Quanto a Álamo Meneses, e apesar do bom trabalho realizado ao longo de 12 anos na educação, esta é a pasta que mais se ajusta à sua formação académica e ao seu percurso cívico enquanto defensor das causas ambientais.

A Lina Mendes peço que desburocratize, de uma vez por todas, o processo educativo dos Açores. Não se dedique apenas ao aparente sucesso estatístico, faça com que os professores se ocupem daquilo que melhor sabem, ensinar, formar, livrando-os de trabalho que mais não é que trabalho de secretaria. Volte a motivar os professores dos Açores, acabe com a ideia de facilitismo que cada vez mais se tende a instalar no meio dos alunos. Continue o bom trabalho da anterior secretaria na melhoria das instalações e equipamentos do parque escolar do arquipélago.

Do novo secretário regional da saúde, não o conhecendo aprofundadamente, fico na expectativa.

Quanto aos restantes nomes, já são conhecidas as suas capacidades esperando-se que tenham boas actuações.

É, pois, um governo que tem tudo para que os Açores continuem na rota do desenvolvimento e da melhoria das condições de vida que têm pautado os governos liderados por Carlos César.

 

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publicado por Hélder Almeida às 18:25
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Sábado, 8 de Novembro de 2008

Dia de luta

Hoje é incontornável fugir à manifestação de professores que terá lugar na cidade de Lisboa. Em tempos a ministra da educação disse que apesar de ter perdido os professores tinha conquistado os pais (esquecia-se que a maioria dos professores também são pais), contudo hoje são os pais, que pela mão das instituições que os representam, defendem, igualmente, a ideia que este modelo de avaliação descabido e desprovido da intenção de melhorar o ensino, mas cheio de intenções economicistas, poderá prejudicar, e muito, o desempenho dos professores e, por conseguinte, a aprendizagem dos seus filhos. Sou socialista democrático, acredito nos valores que levaram à fundação do partido socialista, no entanto, este governo da república pela mão desta senhora ministra está a acabar com o ensino público, está a justificar a fuga cada vez maior de estudantes e professores para o ensino privado, está a condenar a maioria dos estudantes de Portugal a um ensino marcado pelas aprovações obrigatórias, pelo sucesso estatístico altamente manipulado, pelo facilitismo, está a condenar os estudantes a um ensino que não os forma enquanto cidadãos responsáveis.

Assim, hoje estou solidário com a luta dos professores, estou solidário com cidadãos que em alguns casos, quase com 30 anos de dedicação à educação formando muita gente que se levanta contra eles, são agora obrigados a terem aulas assistidas por colegas sem nenhuma formação e muitas vezes com pouquíssima experiência na educação, por via de terem gasto a maior parte da sua carreira em cargos administrativo. Mais, o ensino em Portugal está nesta situação por a maior parte dos responsáveis políticos da área da educação não terem conhecimento da realidade do ensino, ou porque não estão ligados em termos científicos e académicos à educação ou quando estão são, na sua maioria, professores que levaram toda uma vida em concelhos e mais concelhos executivos fugindo sempre que podiam ao essencial do ser professor que é dar aulas, que é ensinar.

É necessário mudar, é necessário que o PS volte a eleger a educação como uma das suas paixões, é necessário que os socialistas do PS se façam ouvir em defesa do ensino público.

 


publicado por Hélder Almeida às 13:56
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Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Procura-se um Obama...

Que falta nos faz um Obama! Um Obama que consiga motivar este povo farto de ver os seus desejos serem defraudados. Um Obama que nos faça acreditar, um Obama que congregue as pessoas à sua volta, um Obama livre das velhas manhas e influências que afectam alguns dos nossos políticos, um Obama com uma nova mensagem cheia de vida, de esperança, de vontade de mudar. Falta-nos um Obama e falta-nos um certo espírito crítico face à actividade política e aos seus agentes. Basta de conformismo, basta dos mesmos discursos, basta das mesmas ideias, é preciso que a política volte a ser dos ideais e não das tácticas e arranjos de corredor. É preciso um Obama português. Contudo no futuro próximo não se adivinha o surgimento de nenhum Obama em Portugal e em 2009 lá teremos de continuar a escolher o mal menor em vez do bem maior para o nosso país.

 

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publicado por Hélder Almeida às 18:38
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Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

Esperança

Só espero que amanhã os Estados Unidos escolham bem e votem pela mudança, votem pela esperança, votem em Obama. Contudo não me admirarei se surgirem surpresas, fiquei vacinado em 2004 quando após uma noite inteira enganando o sono constatei a vitória de Bush e a derrota de Kerry.

Desejo, igualmente, que a ser eleito Obama concretize o seu discurso e que este não seja, apenas, uma mão cheia de nada.

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publicado por Hélder Almeida às 21:51
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Sábado, 1 de Novembro de 2008

Non abbiate paura

Já foi há 30 anos que João Paulo II proferiu a sua primeira homilia como líder da Igreja Católica. As suas palavras ficarão para sempre associadas à frase Non abbiate paura - Não tenhais medo. Que sábias palavras, hoje o mundo vive num clima de medo, medo da crise, de uma crise que todos ouvem falar mas que o comum dos mortais tem dificuldade em perceber quem e como a originou. Contudo num mundo de assimetrias a crise mais cedo ou mais tarde vem à tona, num mundo de prioridades invertidas, num mundo preocupado com tudo menos com o essencial, a crise será sempre incontornável. Por isso, hoje mais que nunca as palavras de João Paulo II fazem sentido, não tenhais medo. Não tenhais medo de assumir as vossas responsabilidades na luta por um mundo melhor, não tenhais medo de se opor contra a injustiça, não tenhais medo de levantar a voz e denunciar a desigualdade de oportunidades, de denunciar a pobreza, de chamar a atenção dos "senhores do mundo" para o sofrimento que milhões de pessoas passam todos os dias. Qual crise económica, a crise que está aí é a crise de valores. Se valores existissem os "senhores" que conduziram o mundo a mais uma crise não o teriam feito, os "senhores" especialistas da alta finança que brincaram a seu belo prazer e proveito próprio com milhões e milhões de euro enquanto outros nem 1 euro por dia tinham para sobreviver não o teriam feito, se valores existissem o mundo unia-se não só para fazer a guerra mas, e sobretudo, para acabar com ela e com a extrema pobreza que assola boa parte do planeta.

Por isso só me resta dizer: Non abbiate paura.

 

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publicado por Hélder Almeida às 19:25
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